O patchouli é a nota mais divisiva de toda a perfumaria. Há pessoas que o adoram e outras que o detestam com paixão. Normalmente, quem o detesta nunca cheirou um bom patchouli — apenas o patchouli barato e pesado dos anos 70 que o tornou sinónimo de hippie e pó. O patchouli de qualidade é uma das notas mais ricas, versáteis e fascinantes da perfumaria.
O que é o patchouli
O patchouli (Pogostemon cablin) é uma planta da família das mentas originária do Sudeste Asiático. O seu óleo essencial é extraído das folhas secas por destilação a vapor. A qualidade varia enormemente consoante a origem e o método de extração: o patchouli da Indonésia (especialmente de Sumatra) é o mais valorizado.
Como envelhece o patchouli
O patchouli é uma das poucas notas de perfumaria que melhora com o tempo — como um bom vinho. O patchouli fresco pode ser áspero, "verde" e ligeiramente medicinal. Com os anos torna-se mais suave, mais quente, mais escuro e extremamente rico. Alguns perfumistas guardam patchouli envelhecido de 10, 20 ou até 30 anos para usar nas suas criações mais especiais.
Os perfis do patchouli
- Patchouli terroso: o mais clássico. Escuro, húmido, quase como terra molhada. O patchouli dos anos 70.
- Patchouli doce: combinado com baunilha ou tonka, torna-se quente e gourmand. Muito mais acessível.
- Patchouli floral: com rosa ou peónia, o patchouli torna-se sofisticado e feminino. Esta combinação é o coração de muitos chipres florais modernos.
- Patchouli frutado: com frutos vermelhos ou pêssego, dá resultados modernos e vibrantes.
O patchouli nos grandes clássicos
Angel de Mugler tornou o patchouli protagonista absoluto de um gourmand e mudou a perfumaria para sempre. Black de Bulgari. Hypnôtic Poison de Dior. La Rose de Rosine. O patchouli está no coração de muitos perfumes que não "cheiram a patchouli" — está a trabalhar em silêncio, dando profundidade e fixação.
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