A relação oculta entre o stress e a tua digestão

Inchaço depois de comer praticamente qualquer coisa. Digestões pesadas que se prolongam durante horas. A sensação de que o teu intestino, simplesmente, faz o que quer. É fácil cair na armadilha de pensar que o problema está sempre em "algo que comeste" — mas a realidade é bastante mais complexa, e tem muito a ver com algo de que quase nunca se fala: o stress.

Um dado que surpreende quase toda a gente

A prevalência global da síndrome do intestino irritável ronda os 10% da população, sendo até 1,5 vezes mais frequente nas mulheres do que nos homens. Ou seja: se tens queixas digestivas recorrentes, não és um caso isolado nem estás a "exagerar" — é uma das condições digestivas mais comuns que existem, e continua a ser muito pouco falada fora do consultório médico.

A ligação entre o stress e o intestino

O intestino e o sistema nervoso estão ligados de forma bidirecional através do que se conhece como o eixo intestino-cérebro. Isto significa que o stress não fica "só na cabeça": liberta hormonas e neurotransmissores que alteram diretamente a motilidade intestinal (a velocidade a que a comida se move pelo sistema digestivo) e a composição da microbiota, o conjunto de microrganismos que vivem no intestino.

Por isso, em épocas de muita tensão — ou em fases de alterações hormonais, como a menopausa, que costuma acentuar estes sintomas — é habitual notar mais inchaço, mais pesadez ou um trânsito intestinal mais irregular, mesmo sem ter mudado a alimentação de todo.

Que papel desempenha exatamente a microbiota

A microbiota intestinal não é uma simples acompanhante da digestão: participa na fermentação da fibra, na síntese de certas vitaminas e na regulação da resposta imunitária e inflamatória do intestino. Quando o equilíbrio desta comunidade de microrganismos se altera — por stress, por uma má fase alimentar ou por outros fatores — é habitual traduzir-se em sintomas digestivos incómodos.

Para cuidar deste equilíbrio, a ciência atual aponta dois elementos-chave:

  • Microrganismos vivos variados: fornecer diferentes estirpes ajuda a manter a diversidade da microbiota.
  • Fibra prebiótica (FOS): atua como "alimento" para esses microrganismos, ajudando-os a manterem-se ativos.

A isto costuma juntar-se a vitamina C, que contribui para o funcionamento normal do sistema imunitário, intimamente relacionado com a saúde intestinal.

Deixar de normalizar o inchaço

O inchaço ocasional depois de uma refeição copiosa é normal. O que não deveria ser normalizado é viver com ele de forma constante, assumindo que "é assim que o teu corpo funciona" sem te questionares porquê. Compreender a ligação entre o stress, a microbiota e a digestão é o primeiro passo para deixar de tratar cada episódio como um caso isolado.

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